
Em 1973, a NASA enviou secretamente uma nave tripulada à Lua, a Apollo
18, integrada pelos astronautas Warren Christie e Lloyd Owen. Décadas
mais tarde, as imagens do que aconteceu com a missão e os detalhes do
por que ela jamais voltou a Terra vazam e são editadas para a realização
de "Apollo 18", que explicará o mistério.
Esse é o argumento entregue ao espectador nos créditos iniciais desta
produção, pretensamente documental, que copia em todas as suas dimensões
"A Bruxa de Blair" (1999) e seus exitosos subprodutos ("REC", "Cloverfield - Monstro", "Quarentena", "Atividade Paranormal").
Do baixo orçamento e câmeras trêmulas, dos gritos incessantes à
campanha viral na internet (de que se trata de algo verídico), está tudo
ali, exceto a necessária criatividade para sair da mesmice.
Creditado ao diretor espanhol Gonzalo López-Gallego, "Apollo 18" é, por
princípio, uma série de imagens coladas para o espectador em constante
estado de tensão. Aqui, câmeras instaladas na nave e em solo lunar
mostram supostos movimentos suspeitos. Da mesma forma que a audiência
buscou fantasmas no cenário de "Atividade Paranormal", neste suspense
ela não deve tirar os olhos da tela para identificar supostos
alienígenas.
Como não inova em qualquer aspecto, com base nos filmes aos quais se
referencia, não é muito difícil entender a lógica da história e se
antecipar ao desfecho, que deixa espaço para continuações.
Com exceção de um par de cenas, em especial a que o protagonista pede
ao secretário de Defesa para ser resgatado, as performances dos atores
ali envolvidos em nada colaboram.
Quando estreou em 1999, "A Bruxa de Blair" mostrou principalmente que
era possível utilizar as redes sociais na internet para difundir
bobagens como o espírito de uma bruxa maligna que persegue um trio de
azarados na floresta.
"Atividade Paranormal" também se vendeu como verdade e foi além ao
lançar um viral que mostrava a cara de pânico da plateia ao ver as
imagens. Nas entrelinhas, provava se tratar do mais assustador
documentário já feito. Os êxitos dos filmes mostraram que essas ações
dão certo.
No entanto, "Apollo 18" não conseguiu ir além nem mesmo em golpe
publicitário. Poderia se aproveitar das poderosas redes sobre teorias de
conspiração norte-americanas que alardeiam, entre outras coisas, que os
alienígenas estão aqui entre nós. Falhas que devemos apenas lamentar,
pois não se trata de uma produção com fraco argumento, mas de uma fraca
execução de suas possibilidades.
O filme estreia em cópias legendadas e dubladas. (Rodrigo Zavala, do Cineweb)
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