Premiado em Cannes, "Poesia" aborda poder transformador da arte


É possível ensinar a escrever poesia? Aparentemente, sim. Num centro cultural numa cidade da Coreia do Sul, um grupo de pessoas senta-se em mesinhas escolares. Seus olhares são ávidos como de crianças no primário à espera de aprender as primeiras letras do alfabeto.

O professor, um poeta conceituado, mostra-lhes uma maçã e pergunta se alguém já viu a fruta. Claro, todos já viram, como ele mesmo diz, milhares de maçãs em suas vidas. "Vocês nunca viram uma maçã de verdade", decreta. Mas qual a diferença entre ver e enxergar?

Ao centro do drama sul-coreano "Poesia" está exatamente essa questão: o que vemos e o que enxergamos? Mija (Jeong-hie Yun) é uma senhora que cuida do neto, e trabalha como faxineira e uma espécie de enfermeira de um homem que sofreu um derrame (Hira Kim). Ela é a última a se matricular na aula de poesia, e a aluna mais esforçada. Em seu caderninho, faz anotações quando frases e observações lhe ocorrem - não importa onde esteja.

A atriz Jeong-hie era uma das favoritas no Festival de Cannes em maio passado - mas acabou perdendo para Juliette Binoche, em "Cópia Fiel", de Abbas Kiarostami, ainda inédito no país. "Poesia" saiu da competição com o prêmio de melhor roteiro.

O diretor e roteirista Chang-dong Lee estabelece a protagonista de "Poesia" por meio das suas ações simples do cotidiano. Trabalhar - limpando o apartamento e cuidando do paciente -, fazendo comida para o neto ("o que faz a vovó mais feliz no mundo é dar de comer para Wook") e ir ao médico. Alguns elementos, no entanto, perturbam a paz da vida de Mija.



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