
É bem verdade que, muitas vezes, essa "nova visão" vem ainda coberta de bom-mocismo e excesso de boa vontade - deixando de lado, propositalmente, questões mais controversas. "O Discurso do Rei", em estreia nacional, é mais um exemplar nessa galeria que tenta mostrar que os nobres são gente como a gente.
O nobre em questão é o rei George VI (nascido Albert Frederick Arthur George), cuja gagueira torna-se um empecilho toda a vez que ele vai se dirigir à nação. Em tempos de paz isso já seria um problema. Em tempos de crise, isso coloca uma espada sobre sua cabeça.
O monarca é interpretado por Colin Firth que, por ser inglês, não precisa fingir o sotaque (o que sempre garante prêmios), mas teve trabalho para criar seu personagem, e desponta como o favorito ao Oscar em sua categoria. O filme é o campeão de indicações do ano, com 12, inclusive melhor filme e diretor (Tom Hooper, da minissérie "John Adams").Escrito por David Seidler - que também foi gago na juventude -, "O Discurso do Rei" é um divertimento cinematográfico à moda antiga, daqueles que as pessoas gostam de ver porque além de se divertirem saem da sessão supondo que conhecem mais sobre a história da Inglaterra, e tudo isso por apenas um ingresso.Albert tentou diversos métodos para superar seu problema, mas nada funcionou. Sua mulher, Elizabeth (Helena Bonham Carter, no papel de boa moça), descobre um sujeito com métodos nada ortodoxos. Mas, para quem já tentou falar com a boca cheia de bolas de gude, nada poderá ser mais radical.
O sujeito é Lionel Logue (Geoffrey Rush, de "Shine - Brilhante"), um terapeuta que mais com falação do que ação pode ser capaz de curar o futuro monarca.
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