
Se fosse feito há 35 anos, "Um Homem Misterioso", que estreia no país nesta sexta-feira, seria um exercício de existencialismo, um tipo de filme bastante em voga na época que gerou exemplares muito bons - especialmente aqueles dirigidos por Michelangelo Antonioni. Mas eis que o diretor desse drama não é o mestre italiano - morto em 2007 - mas o holandês Anton Corbjin, um fotógrafo que estreou no cinema há três anos com "Control", um belo longa inspirado na vida e morte do músico Ian Curtis, da banda Joy Division.
"Um Homem Misterioso" aspira ser Antonioni, mas não só; também quer ser Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman e Sergio Leone. Todos num pastiche emoldurado por belezas naturais, a pose de galã de George Clooney e belas mulheres com pouca roupa. Nos idos do século 21, tudo isso soa como uma tentativa de emular um estilo que o cinema norte-americano, quase por natureza, é incapaz de alcançar.
A trama, baseada em romance de Martin Booth, com roteiro de Rowan Joffe ("Extermínio 2"), é centrada num enigmático matador de aluguel que se esconde numa pequena cidade italiana, depois de quase ser morto numa emboscada na Suécia. Percebeu as referências? Suécia, Bergman; Itália, Antonioni. Mas elas não param por aqui. Clooney, que atravessa o filme com a cara de confuso - uma expressão que nunca muda -, evoca Cary Grant de "Intriga Internacional"; e Leone, nominalmente citado numa cena, também é copiado quando o personagem central chega a uma cidadezinha. As trocas de olhares são típicas dos faroestes do italiano.
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