FILMES - A Fita Branca




Há um certo consenso entre uma parcela da crítica que não se entusiasma com o cinema de Michael Haneke, que "Caché" (2005) é seu melhor filme.

Existem, claro, os que não gostam de nenhum, mas esses precisam fazer ao menos uma revisão do filme em questão, ou deste mais recente, "A Fita Branca" (2009). Esquecendo, claro, a desnecessária (mas nem por isso desprezível) refilmagem americana de "Violência Gratuita" (1997) feita entre um e outro, dez anos depois do original. Não por ser vergonhosa, mas porque nada deve mudar no julgamento de quem gosta ou não gosta do diretor.

Haneke sempre procurou radiografar um mal estar europeu, desde seu filme de estreia, "O Sétimo Continente" (1989), mas com maior clareza em "Código Desconhecido" (2000), "Tempos do Lobo" (2003) e "Caché". Mal estar que tanto deriva da imigração maciça de gente de países pobres quanto da reação a essa imigração, mas também, e sobretudo, de uma vergonha pelo passado colonizador, o que se sobressai principalmente em seus filmes franceses.

Em "A Fita Branca" viaja ao passado, mais especificamente aos anos anteriores ao surgimento do nazismo, num vilarejo pacato em que estranhos atos de violência começam a acontecer.

Nada é muito explicado (ainda bem, pois o mistério acentua a dramaturgia) e as mortes que se acumulam não encontram culpados. É como se Haneke dissesse: a culpa é das normas rígidas da sociedade alemã, da educação hipócrita que é passada através das gerações.

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